terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE FILOSOFIA


Prezad@s,

Como informativo divulgo essa oportunidade de especialização em ENSINO DE FILOSOFIA em Fortaleza promovido pela Faculdade Católica de Fortaleza, antigo Seminário da Prainha.
*Não estou recebendo nenhum pagamento para divulgar essa informação.

Att

Prof. Ms. Marney Eduardo Ferreira Cruz


ESPECIALIZAÇÃO

Filosofar com os jovens é, portanto, capacitá-los para o debate, para o confronto de idéias, para o posicionamento diante dos fatos e tomada de decisões, tendo sempre como referencial a tradição do pensamentos filosófico, e ao mesmo tempo, a abertura para a construção de novos pensamentos, uma vez que a curiosidade instigadora dos grandes filósofos é a mesma de todo ser humano e a liberdade de pensar é a matéria prima da filosofia.
Apesar da importância do filosofar para a construção de novas perspectivas pessoais e sociais, há, no entanto, um evidente desinteresse dos alunos pela disciplina de Filosofia nas escolas. Diante deste contexto pergunta-se: a que se deve este desinteresse? Como esta disciplina de tão grande valia vem sendo ministrada para os jovens? Qual a metodologia aplicada? Qual o lugar da filosofia no currículo escolar? Qual a formação exigida pelas Secretarias de Educação para se lecionar essa disciplina?

Diante de todas estas indagações e interesse consciente pelo pensamento filosófico, a Faculdade Católica de Fortaleza (FCF) toma a iniciativa em promover o Curso de Especialização no Ensino da Filosofia contribuindo, assim, para um ensino de melhor qualidade que desenvolva as condições potenciais de pensar livre e consistente.

OBJETIVO GERAL:
Desenvolver o ato de filosofar tanto no seu uso teórico como prático com o intuito de promover a capacitação e qualificação de 50 professores que lecionam ou que desejem lecionar a disciplina de Filosofia no Ensino Médio.

PROGRAMA CURRICULAR:

Ontologia ou Metafísica 45h/a
Metodologia do Ensino e Pesquisa em Filosofia 20h/a
Lógica 45h/a
Epistemologia 45h/a
Antropologia Filosófica 45h/a
Filosofia Social e Política 45h/a
Estética e Filosofia da Arte 45h/a
Os Sistemas Éticos na História da Filosofia 45h/a
Fundamentos Filosóficos, sociais, culturais e legais da Educação no Brasil 45h/a
Didática e organização curricular 25h/a
INVESTIMENTO

Inscrição/ matrícula: R$ 75,00
Matrícula + 15 parcelas de R$ 275,00

COORDENAÇÃO
Profª Dra. Maria Celeste de Sousa e Profª Dra. Marly Carvalho Soares

FONTE: http://www.catolicadefortaleza.edu.br/ensino-de-filosofia.html via
http://filosofiaensina.blogspot.com/

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

“Sequestro ou rapto?”: resposta à miséria do jornalismo.

                                                                                                                                                               
Ubiracy de Souza Braga*
         “A vergonha de ser um homem: haverá razão melhor para escrever?” (Deleuze, 1997: 11).
              A etnologia demonstra que a compra de mulheres não se pratica exclusiva ou prioritariamente nos chamados “estágios inferiores da evolução cultural”. Ela nunca ocorre, no modo da economia individualista. Ela é submetida a formas e fórmulas estritas, ao respeito aos interesses familiares, a convenções precisas sobre a natureza e o montante do pagamento. Todo o seu desenrolar tem um caráter eminentemente social. Mas a organização dos casamentos que vem à luz com a compra das mulheres representa um imenso progresso diante das condições mais grosseiras do rapto nupcial, ou diante dessas relações sexuais de todo primárias, que não conheciam, sem dúvida, a promiscuidade absoluta, mas ignoravam, muito provavelmente também, a firme referência normativa que a compra socialmente regulada proporciona. Temos aí um fato que “traduz claramente o papel social desse modo de casamento eminentemente pouco individual” (cf. Simmel, 1993: 41).
            Como sabemos a evolução da humanidade sempre atravessa estágios em que: a) opressão da individualidade é o ponto de passagem obrigatório de seu livre desabrochar superior, em que a pura exterioridade das condições de vida se torna a escola da interioridade, b) em que a violência da modelagem produz uma acumulação de energia, destinada, em seguida, a gerar toda a especificidade pessoal. Do alto desse ideal é que, c) a individualidade plenamente desenvolvida, tais períodos parecerão, é claro, grosseiros e indignos. Mas, para dizer a verdade, atenta Georg Simmel que, além de semear os germes positivos do progresso vindouro, já é em si uma manifestação do espírito exercendo uma dominação organizadora sobre a matéria-prima das impressões flutuantes, uma aplicação das personalidades especificamente humanas, procurando elas próprias fixar suas normas de vida - do modo mais brutal, exterior ou, mesmo, estúpido que seja -, em vez de recebê-las das simples forças da natureza.  A horda “não protege mais a moça e rompe suas relações com ela, porque nenhuma contrapartida foi obtida por sua pessoa”. 
Desnecessário dizer que o desvio às normas dominantes de uma sociedade implica “coragem e determinação”. Contudo é frequentemente um processo social para garantir as mudanças políticas que mais tarde vêm a ser consideradas como sendo de interesse geral. Uma sociedade tolerante em relação ao comportamento desviante não sofrerá necessariamente uma ruptura social. O conceito de desvio aplica-se às condutas individuais ou coletivas que transgride as normas de uma dada sociedade, ou de um grupo. Refere-se à ausência ou falha de conformidade face às normas ou obrigações sociais. Um comportamento só pode ser qualificado de desviante por referência à sociedade em que surge. Pode, também, ser visto “como um atentado à ordem social”. Pode, também, ser concebido como o signo de “incapacidade dos grupos e das sociedades em matéria de socialização”. Enfim, é um arquétipo de conformidade por relação a um grupo que não se identifica com o padrão normativo dominante da sociedade global.
“Matei por amor”. A frase saiu dramática, da boca do paulista Raul Fernandes do Amaral Street, o “Doca Street”, e foi dita para a imprensa. Horas depois de um julgamento e sob aplausos, Doca caminhou sem culpa pelo chão de um tribunal na cidade litorânea Cabo Frio (RJ), em 1979. Fora absolvido do assassinato da namorada Ângela Diniz, com três tiros no rosto e um na nuca. Dois anos depois, a promotoria recorreu e o slogan: “Quem Ama Não Mata”, repetido à exaustão por militantes feministas que acompanhavam o segundo julgamento, foi decisivo para a vitória contra a impunidade. Em decisão histórica, transmitida pela tevê, Doca foi para a cadeia. Desde então, os crimes passionais passaram a ser julgados com um olhar supostamente menos machista.
    Desejos, da TV Globo, estrelada por Vera Fischer. Na foto, o velório no necrotério.
A história de Doca Street e a do pai de Maitê foram pesquisadas pela procuradora de Justiça do Ministério Público de São Paulo Luiza Nagib Eluf. Em três anos, ela levantou os 14 crimes passionais mais famosos do País e os reúne no livro Paixão no Banco dos Réus. E como ela afirma: “A paixão que denota o crime passional é crônica, obsessiva e nada tem a ver com amor”. Nesse sentido, “pode ter havido amor em algum momento, mas o que mata é o ódio, o ciúme doentio, a possessividade, a sensação de poder em relação à vítima”. Quando não premeditado, o crime passional é cometido por uma pessoa em um estado de extrema emoção e que, segundo o psiquiatra Sérgio Rigonatti, do Instituto de Psiquiatria da USP, pode durar até 24 horas: “O teor da crítica cai, a pessoa perde a referência e age como animal”. Mas a autora do livro enfatiza: “A paixão só serve para explicar o crime, não para perdoar”.
É neste sentido que se articula o histórico dia 13 de outubro de 2008, em que Lindemberg Fernandes Alves, então com 22 anos, invadiu o domicílio de sua ex-namorada, Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, no bairro de Jardim Santo André, na cidade de Santo André (Grande São Paulo), onde ela e colegas realizavam trabalhos escolares. Armado e inconformado com o fim do relacionamento, Lindemberg rendeu com arma de fogo Eloá e três colegas - Nayara Rodrigues da Silva, Victor Lopes de Campos e Iago Vieira de Oliveira, infringindo o Art. 106 do  ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n. 8. 069/1990), onde “nenhum adolescente será privado de sua liberdade senão em flagrante de ato infracional ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente” (p. 37). Os dois adolescentes logo foram libertados pelo acusado. Nayara, por sua vez, chegou a deixar o cativeiro no dia 14, mas retornou ao apartamento dois dias depois para tentar negociar com Lindemberg. Inicialmente dois reféns foram liberados, restando no interior do apartamento, em poder do raptador, Eloá e sua amiga Nayara Silva. No dia 14, Eduardo Lopes, o advogado do raptador, passou a acompanhar as negociações do cliente com o Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE).
            Às 22h50min desse dia, Nayara Rodrigues, 15 anos, amiga de Eloá, foi libertada, mas no dia 15 a policia paulista mandou-a de volta para continuar as negociações. Após mais de 100 horas de “cárcere privado”, policiais do GATE e da Tropa de Choque da Polícia Militar de São Paulo explodiram a porta - alegando, posteriormente, ter ouvido um disparo de arma de fogo no interior do apartamento - e entraram em luta corporal com Lindemberg, que teve tempo de atirar em direção às reféns. Do ponto de vista jurídico, existe diferença entre os termos “rapto” e “sequestro”. Dado que a constituição do corpo de um homem se encontra em constante modificação, é impossível que as mesmas coisas nele provoquem sempre os mesmos apetites e aversões, e muito menos é possível que todos os homens coincidam no desejo de um e mesmo objeto. Mas seja qual for o objeto do apetite ou desejo de qualquer homem,
esse objeto é aquele a que cada um chama bom; ao objeto de seu ódio e aversão chama mau, e ao de seu desprezo chama vil e indigno. Pois as palavras ´bom`, ´mau` e ´desprezível` são sempre usadas em relação à pessoa que as usa. Não há nada que o seja simples e absolutamente, nem há qualquer regra comum do bem e do mal, que possa ser extraída da natureza dos próprios objetos. Ela só pode ser tirada da pessoa de cada um (quando não há Estado) ou então (num Estado) da pessoa que representa cada um; ou também de um árbitro ou juiz que pessoas discordantes possam instituir por consentimento, concordando que sua sentença seja aceite como regra” (cf. Hobbes, 1979: 33). 
No primeiro caso, rapto nupcial consiste em tirar do lar doméstico uma mulher, com “o fim de submetê-la à satisfação de instintos libidinosos, empregando violência, intimidação ou fraude”. Ou, ação ou efeito de arrebatar do domicílio habitual, por violência, qualquer pessoa. No segundo caso, sequestro, refere-se à ação ou efeito de sequestrar. Ou seja, retenção ilegal de pessoa em lugar não destinado à prisão. Ambos são crimes, mas o crime de rapto que estava disposto no art. 219, do Código Penal, foi revogado pela Lei 11.106 de 2005. Além disso, o art. 148, do Código Penal, dispõe sobre o sequestro e cárcere privado: “privar alguém de sua liberdade, mediante sequestro ou cárcere privado”. Vale a pena ressaltar que o sequestro difere da extorsão mediante sequestro, tratada no art. 159, do Cód. Penal: “sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem como condição ou preço de resgate”, como ocorrera, seja no âmbito do “banditismo social”, seja no âmbito da “guerra de guerrilha marxista”.
Do ponto de vista filosófico Georg Simmel (1892; 1898; 1921-1922; 1988; 1993: 42 e ss.) foi, sem dúvida nenhuma, a figura de transição mais importante e mais interessante de toda a filosofia moderna. Por esse motivo, exerceu uma atração sobre todos os verdadeiros talentos filosóficos da nova geração de pensadores. Simmel apresentou sua Soziologie no ano de 1908 e contribuiu decisivamente para a consolidação desta ciência na Alemanha. Nesta obra, ele trata especificamente da sociologia e aprofunda a análise das formas de “sociação”, como a dominação, o conflito, o segredo, os círculos sociais e a pobreza. Ao mesmo tempo, reflete sobre os determinantes quantitativos da vida social, bem como sobre a relação entre a vida grupal e a individualidade. Simmel desenvolveu a “sociologia formal”, ou das “formas sociais”, influenciado pela filosofia kantiana que distinguia “a forma do conteúdo dos objetos de estudo do conhecimento humano”. Tal distinção pretendia tornar possível o entendimento da vida social já que no processo de “sociação” (Vergesellschaftung), termo que cunhou como objeto da sociologia, o “invariante eram as formas em que os indivíduos se agregavam e não os indivíduos em si”.
Para Simmel diante do “conflito” (Kampf) os indivíduos vivem em relações de cooperação, mas também de oposição, portanto, os conflitos são parte mesma da constituição da sociedade. Seriam momentos de crise, um intervalo entre dois momentos de harmonia, vistos, portanto, numa função positiva de superação das divergências. Fundamenta uma episteme em torno da ideia de movimento, da relação, da pluralidade, da inesgotabilidade do conhecimento, de seu caráter construtivista, cuja dimensão central realça o fugidio, o fragmento e o imprevisto. Por isso, seu panteísmo estético, como episteme, no qual se entende que cada ponto, cada fragmento superficial e fugaz é passível de significado estético absoluto, de compreender o sentido total, os traços significativos, do fragmento à totalidade.
O significado sociológico do “conflito” (Kampf), em princípio, nunca foi contestado. Conflito é admitido por causar ou modificar grupos de interesse, unificações, organizações. Por outro lado, pode parecer paradoxal na visão comum se alguém pergunta se independentemente de quaisquer fenômenos que resultam de condenar ou que a acompanha, o conflito é uma forma de “sociação”. À primeira vista, isso soa como uma pergunta retórica. Se todas as interações entre os homens é uma sociação, o conflito, - afinal uma das interações mais vivas, que, além disso, não pode ser exercida por um indivíduo sozinho, - deve certamente ser considerado como “sociação”. E, de fato, os fatores de dissociação - ódio, inveja, necessidade, desejo, - são as causas da condenação, que irrompe por causa deles. Conflito é, portanto, destinado a resolver dualismos divergentes, é uma maneira de conseguir algum tipo de unidade, mesmo que seja através da aniquilação de uma das partes em litígio.
Os escritos de Simmel sobre “vitalismo” ou filosofia de vida, quase no final de sua vida, dimensionam não tanto a tragédia da cultura, mas a ambivalência do sujeito frente à cultura, ou melhor, o conflito da cultura. Entende Simmel que, ainda que as formas culturais na sociedade mercantil avançada tornem difícil ao homem exprimir criatividade, o mesmo não consegue viver sem elas. A comodidade, as construções simbólicas, os sistemas de informação, as novas normas legais, a liberação da sexualidade, dentre outras, são manifestações de uma espécie de outro lado da modernidade. Não obstante, essa percepção sensível de um maior avanço da cultura subjetiva não foi suficiente para alterar o “nó duro” de sua análise em torno da crítica da dimensão de massa dos bens culturais, os quais deixam os homens deprimidos por não poder assimilá-los todos no mesmo momento em que não podem excluí-los, pela fragmentação da existência em razão da separação crescente das esferas objetivadas da vida e a erosão da cultura pessoal em correspondência com o avanço dos multivariados objetos que ganham e exigem conotação cultural.
De outra parte, já é aceito o uso do termo “sequestro com fins libidinosos” para substituir “rapto”. Sequestro e cárcere privado é posto no código penal brasileiro no capítulo dos crimes contra a liberdade individual, no art.148 privar alguém de sua liberdade, mediante sequestro ou cárcere privado é punível com reclusão, de 1 a 3 anos. Podendo ser aumentada de 2 a 5 anos se a vítima é ascendente, descendente ou cônjuge do agente, se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou hospital, se a privação da liberdade dura mais de 15 dias. E se resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou da natureza da detenção, grave sofrimento físico ou moral a pena é de 2 a 8 anos.
Com o prolongamento do chamado “cárcere privado”, a mídia brasileira foi pouco a pouco ampliando sua atenção ao caso, para não falarmos de resto no mundo globalizado (cf. Reuters Índia, 19.08.2008; Javno.hr, Croácia, 19.08.2008; Trend News, Azerbaijão, 19.08. 2008; International Herald Tribune, 19.08.2008; Folha Online, 19.08.2008 entre outros). Após cerca de dois dias de “cárcere privado”, a Rede TV entrevistou Lindemberg Alves, seguida pela repórter Zelda Mello, da Rede Globo e também pelo repórter da Folha Online. Assim, houve analogamente uma espécie de “espetacularização do crime”, para fazermos referência à Debord (1966), bastante questionada e criticada após o desfecho do caso, que resultou na morte de uma das reféns. O caso mais criticado talvez seja o da apresentadora Sônia Abrão, do programa A Tarde é Sua. Nele, ela conversou ao vivo com Lindemberg Alves e Eloá por telefone, “bloqueando a linha que era utilizada para contato com o negociador”. O ex-integrante do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e sociólogo Rodrigo Pimentel, em entrevista ao portal Terra criticou duramente a cobertura da mídia brasileira argumentando que as emissoras de TV citadas - Rede TV, Rede Record e Rede Globo - foram “irresponsáveis e criminosas” e declarou que o “Ministério Público de São Paulo deveria, inclusive, chamar à responsabilidade, essas emissoras de TV”. Imagens da repercussão jornalística de fora para dentro do Brasil.


                              
                             
                              
                                             
A adolescente Nayara deixou o apartamento andando, ferida com um tiro no rosto, enquanto Eloá, carregada em uma maca, foi levada inconsciente para o Centro Hospitalar de Santo André. O raptador, sem ferimentos, foi levado para a delegacia e, depois, para a cadeia pública da cidade. Posteriormente foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, na cidade de São Paulo. Eloá Pimentel, baleada na cabeça e na virilha, não resistiu e veio a falecer por morte cerebral confirmada às 23h30min de sábado (18 de outubro de 2008). O caso também repercutiu no exterior; o jornal espanhol El País destacou a comoção nacional pelo falecimento da jovem Eloá.
Escólio: “No sábado (18/10/2008, Opinião, página 6), o artigo: “Sequestro ou rapto”, do professor Ubiracy de Souza Braga, “escrito antes do desfecho”, faz divagações sociológicas sobre o caso e diz que a mídia, “no afã de capitalizar a notícia, propugna o fim das relações amorosas entre pessoas quando utiliza as expressões como: ‘ex-namorada ‘refém’, ‘sequestro’’”. Ressalta que o jornalismo “‘deveria ter parcimônia (...) para que as partes possam negociar, em nome do amor, sem espetacularização (sic), uma solução livre de preconceitos e palavras (mal) ditas’”. Na terça-feira (21), o jornalista Plínio Bortolotti rebate o sociólogo: ‘A esse entendimento de amor, só resta exclamar: o horror! O horror!’. Enfim, pode-se culpar a mídia por promover espetáculo com uma tragédia, como o professor Ubiracy de Souza Braga o fez, mas dizer que houve ‘rapto’ e não ‘sequestro’, é absurdo. Lindemberg não é um Romeuzinho incompreendido. É um assassino” (cf. Bortolotti, 2008). Plínio Bortolotti é jornalista com mestrado em comunicação social e diretor institucional do Grupo de Comunicação O Povo, onde entrou como repórter em 1997.
    Interior do apartamento da família de Eloá, em Santo André (SP), após o desfecho do rapto.
                Etnograficamente com uma fala com poucas demonstrações de emoção, Lindemberg negou ter invadido o apartamento de Eloá com intenção de matá-la e tampouco tê-la agredido no tempo em que permaneceram no domicílio. De acordo com o réu, eles haviam reatado o namoro pouco antes do episódio - o que os amigos dela negam -, sendo que ela teria “ficado” com o amigo Victor, que estava no apartamento quando Lindemberg chegou. Apesar admitir ter ficado nervoso com a suposta traição, Lindemberg negou ter agredido os amigos de Eloá e afirmou ter dado oportunidade para que todos, menos a ex-namorada, deixassem o apartamento. “Eu não deixei o apartamento porque estava com medo da polícia. O clima estava muito tenso. Eu ia em uma janela e via polícia. Ia em outra e era a mesma coisa. Eu não entendia nada de polícia. Para mim, era tudo novo”. Segundo ele, a arma usada no crime foi comprada por R$ 700, cerca de 20 dias antes, devido a três ameaças telefônicas de morte. A arma teria sido vendida por um homem que o réu conheceu enquanto praticava atividades físicas em um parque da cidade. Ainda de acordo com o depoimento, Lindemberg só entrou armado no apartamento por essa razão, e não para coagir a vítima: “Eu levava a arma para onde fosse”, afirmou. Lindemberg disse ainda que, em alguns momentos, Eloá ficava “histérica” com a situação. “Quem estava do lado de fora imaginava que eu estava batendo nela”, disse.
A ação da polícia foi amplamente criticada por diversos setores da sociedade, inclusive especialistas em segurança pública. Marcos do Val, instrutor de defesa pessoal do departamento de polícia de Beaumont no estado americano do Texas, foi contatado “pelas lentes” do Fantástico (Rede Globo de Televisão) para comentar sobre a ação policial no caso. Pelas antenas da televisão, o mundo se tornou infinitamente menos secreto. De acordo com ele, a polícia ter permitido que o sequestro se alastrasse por mais de cem horas “foi errado, pois em uma situação passional como essa, quanto mais tempo leva, mais inconstante a pessoa fica”. Ele também afirmou que a polícia “ter permitido a volta de Nayara ao cativeiro foi o maior absurdo da operação”. Finaliza: “em nenhum lugar do mundo já existiu uma situação dessas”. Além disso, também apontou erros no socorro às vítimas e na invasão. Ariel de Castro Alves, secretário-geral do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa (Condepe) criticou a polícia por não ter contatado a mãe de Lindemberg para participar das negociações. De acordo com Alves, “faria mais sentido a mãe de Lindemberg ir ao apartamento negociar a soltura de Eloá do que Nayara, pois o sequestrador tem um envolvimento afetivo maior com a primeira”, sobretudo do ponto de vista da autoridade.
Outro momento polêmico que reitera a “miséria do jornalismo” deu-se quando a jornalista Sônia Abrão da Rede TV entrevistou Lindemberg e Eloá por telefone: “intervindo diretamente nas negociações”. O programa apresentado por Abrão, A Tarde É Sua, que tem média diária de 2 pontos no IBOPE, registrou pico de 5 pontos durante a entrevista com Lindemberg. De acordo com o sociólogo e jornalista Laurindo Leal Filho, que apresenta o programa da TV Câmara Ver TV, sobre ética na televisão, a interferência de uma emissora em um caso como esse, “além de perigosa, é inconstitucional”. Para o advogado Paulo Castelo Branco, ex-Secretário de Segurança do Distrito Federal e membro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), não houve infração nenhuma da jornalista do ponto de vista legal. Para ele, houve uma “incapacidade do Estado de proteger a área e de não permitir acesso de outros ao telefone do sequestrador”. Recentemente, o Ministério Público Federal de São Paulo decidiu mover “ação civil pública contra a apresentadora pela exibição da entrevista”. O MPF afirma que as entrevistas interferiram na atividade policial em curso “e colocaram a vida da adolescente e dos envolvidos na operação em risco e pede indenização por danos morais coletivos de 1,5 milhão de reais”.
A tese que defendemos é que a veiculação das imagens suscitou uma discussão sobre o tratamento dado ao preso na mídia, entendida como: qualquer suporte de difusão de informações (rádio, televisão, imprensa escrita, livro, computador, videocassete, satélite de comunicações etc.) que constitua simultaneamente um “meio de expressão e um intermediário capaz de transmitir uma mensagem a um grupo determinado”. De acordo com o jurista Luís Flávio Gomes, tanto a sociedade quanto a imprensa são complacentes com atos de violência, que legitimam as práticas de violação dos direitos humanos. A consequência disso seria, de acordo com ele, um tipo de “fascistização da sociedade”. Afirmou ainda que as imagens evidenciam que “a sociedade desrespeita a Constituição e desrespeita tudo no momento em que admite esse tipo de violência”.
A declaração de Cabrini: “agora preso um homem nu fragilizado, acuado que em nada lembra as agressividades dos dias de fúria”, pode ser interpretada como uma ironia aos supostos maus-tratos do rapaz, legitimando-os. Enfim, Lindemberg Alves Fernandes, 25, foi condenado na noite de ontem, 16 de fevereiro de 2012, a 98 anos e 10 meses de prisão por ter matado a ex-namorada Eloá Pimetel, 15, e cometido outros 11 crimes, em 2008. Segundo a legislação, ele não pode ficar preso por mais de 30 anos. Como a soma das penas excede este limite, e ele já cumpriu 3 anos e 4 meses elas devem ser unificadas. O criminalista Roberto Parentoni pondera, no entanto, que sempre há espaço na legislação para a defesa recorrer ao juiz de execuções penais para que haja progressão da pena.
__________________
* Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ), Doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor Associado da Coordenação do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

Bibliografia geral consultada:
DELEUZE, Gilles, Crítica e Clínica. 1ª edição. São Paulo: Ed. 34, 1997; ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n. 8. 069/1990); BRAGA, Ubiracy de Souza, “´Violência Enquadrada`: Lei Maria da Penha”. Disponível em: http://www.oreconcavo.com.br/2010/07/19/; HOBBES, Thomas, Leviatã ou Matéria, forma e poder de um estado eclesiástico e civil. 2ª edição. São Paulo: Abril Cultural, 1979 (Os Pensadores); SIMMEL, Georg, “Zur Soziologie der Familie”. In: Vossische Zeitung, 21-28 de outubro 1892; Idem, “Die Rolle des Geldes in den Beziehungen der Geschlechter. Fragment aus einer Phisophie des Geldes”. In: Die Zeit, 15.22-29  de janeiro de 1898; Idem, “Fragment über die Libe”. In: Logos, 10/1921-1922 (Textos póstumos); Idem, On Individuality and Social Forms. Chicago: University of Chicago Press, 1971; Idem, La Tragédie de la Culture. Paris: Petite Bibliothèque Rivages, 1988; Idem, Philosophie de l`amour. Paris: Petite Bibliothéque Rivages, 1988; Idem, “O papel do dinheiro nas relações entre os sexos - fragmento de uma filosofia do dinheiro”. In: Filosofia do Amor. São Paulo: Martins Fontes, 1993; Cf. Reuters Índia, “Garota brasileira morre após ser mantida refém por ex-namorado”, 19. 10. 2008; Javno.hr, Croácia, “Polícia é questionada após caso de refém”, 19. 10. 2008; Trend News, Azerbaijão, “Garota adolescente mantida refém no Brasil é ferida em ação de resgate da política”, 19. 10. 2008; Internacional Herald Tribune, “Adolescente brasileira atingida por tiro de ex-namorado está em coma”, 19. 10. 2008; Folha Online, “Hospital atesta morte cerebral de adolescente e aguarda decisão sobre doação de órgãos”, 19. 10. 2008; MARX, Karl, Libertá di Stampa e Censura. Bologna: Guaraldi Editore, 1970; Idem, Miseria de la Filosofia. Respuesta a la ‘Filosofia de Miseria’ del señor Proudhon. Moscú: Editorial Progreso, 1981; BORTOLOTTI, Plínio, “O sequestro da razão”. In: Jornal O Povo. Online. Fortaleza, 21 de outubro de 2008; DURKHEIM, Émile, Da divisão do trabalho social; As regras do método sociológico; O suicídio; As formas elementares da vida religiosa. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978; DEBORD, Guy, Commentaires sur la Societé du Spetacle. Paris: Gallimard, 1966; DEL PRIORE, Mary. (Org.). História das mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 2000; KOSOVSKI, Ester, Adultério. Rio de Janeiro: Codecri, 1983; LIMA, Lana Lage da Gama, Mulheres, adúlteros e padres: história e moral na sociedade brasileira. Rio de Janeiro: Dois Pontos, 1987; VAINFAS, Ronaldo, Trópico dos pecados: moral, sexualidade e inquisição no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997; MISSE, Michel, “Reflexões sobre a investigação brasileira através do inquérito policial”. In: Cadernos Temáticos da Conseg, v. 01, pp. 12-16, 2009; MISSE, Michel (Org.); VARGAS, Joana Domingues (Org.); COSTA, A. T. (Org.) ; RATTON, J. L. (Org.); AZEVEDO, R. G. (Org.), O Inquérito Policial no Brasil. Uma pesquisa empírica. 1ª ed. Rio de Janeiro: Booklink, v. 1., 2010, 476 p. entre outros.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Cadê a Inocência?



Fortaleza 03 de fevereiro de 2012

Prof. Marcos Aurélio*

Ontem no dia 02 de fevereiro de 2012 ocorreu um fato que, embora seja desagradável, vem tornando-se comum, falo da violência nas escolas[1], em especial na escola pública. Na classe onde minha filha estuda um dos coleguinhas entrou armado com uma faca e tentou agredir outro companheiro de turma. A turma em questão é do primeiro ano de alfabetização, a idade média dos alunos é seis ou sete anos de idade. E aí a indagação: o que se passa na mente de um garoto nessa faixa etária, que entra com uma arma branca premeditando atos de violência contra outro colega?
 *

Tenho 36 anos e minha geração foi uma das que conseguiu manter certa inocência em relação a algumas atitudes que hoje parecem ser vistas como normais, a televisão e outras mídias atuais não tinha tanta influência. Falo da precocidade com a qual nossos filhos tomam ciência de coisas que, conforme disse acima, eram do conhecimento apenas dos adultos. Palavrão era palavrão, algo que se pronunciado causava vermelhidão (cor da vergonha) no rosto daqueles que ouviam as chamadas palavras obscenas. No entanto, essas são questões menos relevantes quando confrontadas com a realidade violenta e cruel com a qual a minha geração educa seus filhos. É verdade, a culpa é nossa! Pois como é que não conseguimos repassar às nossas crianças os mesmos princípios com os quais nossos pais nos educaram? Cadê a inocência! Sou educador, sou pai e optei por colocar meus filhos em escola pública, afinal de contas foi nela que se efetivou a maior parte de minha vida educacional, e com esta educação consegui formação acadêmica. Todos reclamam da qualidade do ensino público! Porém ninguém que ter responsabilidade com a educação elementar de seus filhos, me refiro aquelas noções básicas e primordiais de respeito ao próximo e à autoridade. Sim, como um aluno pode respeitar o professor se não respeita[2] os pais, principal figura de autoridade.
Sempre conduzindo minha filha à escola, relaxei ultimamente nessa tarefa repassando para um colega mais velho, e de repente vem essa notícia, porque minha maior temeridade era o retorno para casa, onde os perigos variam desde a pessoas com a mente doentia, fruto das mazelas sociais, ou de irresponsáveis que têm veículos nas mãos e conduzem-nos sem o devido cuidado pondo em risco a segurança dos outros. Porque de bicicleta já fui atropelado com minha filha por um carro, isso aconteceu a mais ou menos dois anos quando certa vez fui buscá-la na escola. Agora o perigo se revela dentro da sala de aula.
Como pesquisador e educador sou também um observador da conduta das pessoas que vivem na comunidade onde moro.  Pais e filhos são influenciados pela mídia covarde que tem como exemplo de conduta pessoal, pessoas como jogadores de futebol, que pela influência midiática podem ser o que quiserem, podendo ser repórteres, repórteres que podem ser jogadores, atores, cantores o diabo a quatro, enfim estereótipos sociais que vivem gozando a vida como acham que devem viver sem prestar contas de seus atos, e se esquecem que são “exemplos” porque é nisso que a mídia os transforma, “nossos heróis”, e hoje com a chamada cultura BAD BOY[3] onde o certo é ser errado explica-se o que estamos vivenciando. Os “programas para a família”, esses “Big Brothes”[4] ou combates como o MMA[5] e UFC, digo programas para a família, porque hoje os filhos ficam até tarde na TV e são esses os exemplos que nossos filhos têm, mas não porque são de fato exemplos a serem seguidos, mas porque nossas crianças e jovens, que se guiam verdadeiramente pelo exemplo dos pais, observam esses pais se comportarem em conformidade com o exemplo daquelas pessoas e programas televisivos que citamos acima.
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Das cenas que presenciei nessas idas e vindas a escola para deixar e buscar minha filha obsersevei crianças da mesma faixa etária falando em cigarro de maconha (sem moralismo barato, mas a meu ver, tudo tem seu tempo, porque para tudo é necessário maturidade, maturidade essa que nada tem a ver com a idade real do indivíduo é sabido que existem pessoas que chegam a terceira idade e não tem maturidade para botar meio copo de cachaça na boca) na maior naturalidade. Outro exemplo: percebi uma mãe que conduzia a filha, também na mesma faixa etária de minha filha, isso já foi relatado por mim outro dia, a criança trazia na mão um celular onde ouvia “uma linda canção” comum entre nossos jovens, o refrão é bem constrangedor, pois diz assim:

“Buceta no chão, buceta no chão, buceta no chão!”[6]

É meus amigos, ou eu estou ficando “quadrado”, ou o mundo está acelerando o processo de “modernização” de nossas crianças tornando-as mais “moderninhas”! É isso mesmo! Lembram da TV XUXA? Tinha um personagem, o Moderninho[7], o primeiro boneco gay da TV, eu acho. Desculpe-me os homossexuais, mas o Moderninho era uma afronta à comunidade homossexual, pois deprimia e denegria os homossexuais, mostrando-os como bichas-louca, que é um dos principais modo de violência do homossexual em relação ao preconceituoso.  Foi este um dos exemplos que a minha geração recebeu. Aliás, foi a senhora Xuxa quem educou parte, senão toda a minha geração, eu sei! Foi ela quem popularizou o FUNK[8] e suas coreografias pornográficas. Novamente àqueles que me acusam de moralismo, tomem essa! É lindo ver a filha dos outros se rebolando em poses sexuais, mas já não é tão lindo quando é a sua ou a minha filha fazendo o mesmo. Não é Verdade?
Bem agora para finalizar voltemos ao caso do garoto da faca, conversei com a professora e o diretor da escola, algumas providências já foram tomadas, os órgão competentes foram acionados, mas cabe a nós pais discutirmos a situação em conjunto. E discutir não para julgar este garoto, que a meu ver é mais uma vítima dos exemplos que citei acima. Ele e seus responsáveis, mas não vamos tratá-los como coitadinhos não, pois se são seus responsáveis, então não estão agindo em conformidade com o que se espera de pais responsáveis. Não devemos fugir do problema com ações do tipo: retirar nossos filhos da escola, afinal nós pagamos os impostos que nos foram cobrados, muito menos exigir a saída desse garoto, pois ele é fruto de nossa sociedade e como tal é responsabilidade de todos da comunidade. Assim repito de novo: cadê a inocência de nossas crianças!

Obs: Não citamos o nome do colégio nem os nomes de atores desse ocorrido para preservar a sua integridade, assim saibam que este caso não é o primeiro caso de agressão que acontece, pois com um viramos notícia nacional! E essas ações têm ocorrido vez por outra. Mas como bem disse um amigo meu: “a grande mídia trata esses fatos como Furo de reportagem e não como fatos”, cujos fatos denunciam uma chaga social.

* Possui graduação em Filosofia Pela Universidade Estadual do Ceará. Bacharel, licenciado e Mestrado. Atua principalmente nos seguintes temas: Mito,. Poesia, Filosofia, Filologia, História,  Política  e Sociologia.


[2] E nesse caso também tem seus direitos desrespeitados, pois é competência dos pais o ensino de noções de civilidade e cordialidade.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Uma carreira única para os professores federais


Projeto que será votado no Congresso Nacional diminuiria disparidades entre as classes

POR ALESSANDRA HORTO
Rio - Os docentes de universidades e das instituições de ensino federais elaboraram um projeto específico para todos os integrantes da carreira da União. O objetivo é que os principais pontos sejam inseridos no texto que será votado pelo Congresso Nacional ainda este ano. A data limite de inclusão, na proposta oficial do governo, termina em 31 de março. 

Segundo o presidente da Adufrj (Seção Sindical no Rio do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), Mauro Luis Iasi, o projeto é fruto de um amplo debate com a categoria e representa o resultado de mais de 30 anos de lutas. 

Ele destaca que entre os itens mais importantes está a unificação da carreira para os docentes de universidades, colégio de aplicação e escolas tecnológicas. Para Iasi, essa medida diminuiria disparidades entre as classes.

O presidente também destaca que a proposta apresenta um cargo único denominado “Professor Federal”, que compreenderia em 13 níveis remuneratórios. “Seria a possibilidade de o professor progredir na carreira de uma forma justa”, defende Iasi.

Ele comentou que a seção sindical planeja um dia de paralisação durante a primeira quinzena de março. “Precisamos mobilizar os docentes e apresentar as nossas propostas. Será uma data importante para a nossa luta”, destacou o presidente.

A professora da Faculdade de Educação da UFRJ Mônica Pereira dos Santos, 48 anos, 13 destinados à universidade, declarou à Coluna que ama a profissão, contudo, acredita que o poder público deveria valorizar mais a carreira: “Amo o que eu faço. São 30 anos de magistério, mas nas últimas décadas a carreira foi desvalorizada. Exigem diversas situações, mas esqueceram da figura do professor como pessoa”. 

Greve nacional durante a votação do piso nacional

Professores do Nível Médio da rede pública querem entrar em greve em todo o País, na primeira semana de março. Eles reivindicam cumprimento da lei do piso nacional do magistério.
 
A paralisação foi aprovada durante a reunião do Conselho Nacional de Entidades da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação.

A categoria pede a inclusão no Plano Nacional de Educação (PNE) de um norma que fixe a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) ao setor.

O Ministério da Educação informou que só vai se pronunciar após aprovação do reajuste do piso, previsto para o próximo mês.

Projeto dos docentes

ISONOMIA
A isonomia salarial será assegurada pela remuneração uniforme do trabalho prestado por professor federal do mesmo nível, regime de trabalho e titulação.

CONTRATAÇÃO
O prazo total da contratação de professor substituto, incluídas as renovações ou prorrogações, não será superior a um ano.

FORMAÇÃO CONTINUADA
Os certificados ou diplomas de aperfeiçoamento, especialização, mestrado e doutorado serão considerados títulos para comprovação da formação continuada dos professores.

ENQUADRAMENTO
Os professores aposentados e os pensionistas serão enquadrados da mesma forma que os ativos, resguardada a equivalência em relação ao topo da estrutura da carreira em vigor na data da aposentadoria.

30 anos sem Elis Regina: Ensaio de História & Política.



                                                                                        Ubiracy de Souza Braga*
                                        “Cantar, para mim, é sacerdócio. O resto é o resto”. (Elis Regina)
 Elis Regina Carvalho Costa criticou muitas vezes a ditadura militar brasileira, nos difíceis anos de chumbo (1964-1984), quando muitos músicos foram perseguidos e exilados. A crítica social tornava-se pública em meio às declarações ou nas canções que interpretava. Em entrevista, no ano de 1969, teria afirmado que o Brasil “era governado por gorilas”.  Arquivos militares mostram a cantora dizendo que tal frase foi criada pela imprensa sensacionalista. A popularidade a manteve fora da prisão, mas fora obrigada pelas autoridades a cantar o Hino Nacional durante um espetáculo em um estádio, fato que despertou a ira da esquerda brasileira.
Sempre engajada politicamente, Elis Regina participou de uma série de movimentos de renovação política e cultural brasileira, com voz ativa da campanha pela Anistia de exilados brasileiros do qual Dilma Roussef fizera parte. Mas a expressão “os anos de chumbo”, guardadas as proporções artísticas e políticas, refere-se ao longa-metragem dirigido pela cineasta Margarethe von Trotta, “Die Bleierne Zeit” (1981), em que Julianne (Jutta Lampe) e Marianne (Barbara Sukowa), filhas de um pastor protestante, se afastam da austeridade religiosa de seus pais e tentam mudar a sociedade em que viviam. Cada uma escolhe uma maneira diferente: enquanto que Juliane é uma “jornalista engajada”, sua irmã faz parte de uma organização terrorista. Quando Marianne é presa pelas autoridades, Juliane se torna seu único vínculo ético-político com o mundo fora da prisão. Daí a analogia entre três mulheres: a) na arte cinematográfica, b) na vida social através da música engajada, c) na vida política como primeira mulher presidenta da República Federativa do Brasil.
O despertar de uma postura artística engajada, com excelente repercussão acompanharia toda a carreira, de Elis Regina sendo enfatizada por interpretações consagradas de “O bêbado e a equilibrista”, de autoria de João Bosco e Aldir Blanc, a que vibrava como o hino da Anistia. A canção coroou a volta de personalidades brasileiras do exílio, a partir de 1979. Um deles, citado na canção, era o irmão do Henfil, o Betinho, importante sociólogo na “luta pela vida”. Também merece destaque, o fato de Elis Regina ter se filiado ao PT - Partido dos Trabalhadores, em 1981, onde tanto Luiz Inácio Lula da Silva, como a atual presidenta Dilma Rousseff tornam-se: “winner” na dupla acepção da palavra: “vencedor” ou “sucesso”.
            Ipso facto nas palavras de Evaristo de Moraes (1986:188), “teve a libertação do Ceará repercussão memorável em Paris. Patrocínio estava lá”. A 22 de março dirigiu ele a Victor Hugo uma carta, comunicando que dentro de três dias uma província brasileira, a do Ceará, graças aos esforços de associações abolicionistas, ia ser considerada liberta do cativeiro. Pedia a propósito, ao genial poeta, uma palavra de animação, um conselho, que servisse de encorajamento ao Imperador, no sentido da Abolição. Estando marcado para o dia 25 um banquete, Victor Hugo enviou a resposta com essa data. Ei-la:
Une province du Brésil vient de declarer l` esclavage aboli./ C` est là une grande nouvelle!/L`esclavage c`est l`homme remplacé dans l`homme par la bête; ce qui peut rester d`intelligence humaine dans cette vie animale de l`homme, appartient au maitre, selon as volonté et son caprice./De là des circonstances horribles./Le Brésil a porté à l` esclavage un coup décisif. Le Brésil a un empereur; cet empereur est plus qu`un empereur, il est um homme./ Qu`il continue. Nous le félicitons et nous l`honorons. /Avant la fin du siècle, l` esclavage aura disparu de la terre./La liberté est la loi humaine./Nous constatons d`un mot la situation du progrès: la barbarie recule, la civilisation avance” (sic).
Em assim sendo, guardadas as proporções, de tempo e de “práticas de espaço” (cf. Certeau, 1974; 1975; 1980; 1994), como no exemplo do Rio de Janeiro, com a revolta dos marinheiros na Ilha das Cobras, na baía da Guanabara, como é descrito na letra da música composta por João Bosco e Aldir Blanc, intitulada: O Mestre-Sala dos Mares e interpretada na inesquecível voz de Elis Regina. Diz assim:
Há muito tempo nas águas da Guanabara/O dragão do mar reapareceu/Na figura de um bravo feiticeiro/A quem a história não esqueceu/Conhecido como o navegante negro tinha a dignidade de um mestre-sala/E ao acenar pelo mar na alegria das regatas/Foi saudado no porto pelas mocinhas franciscanas/,jovens  polacas e por batalhões de mulatas/Rubras cascatas/Jorravam das costas dos santos entre cantos e chibatas/Inundando o coração do pessoal do porão/ que a exemplo do feiticeiro gritava então: Glória aos piratas/As mulatas/As sereias/Glória a farofa/A cachaça/As baleias/Glória a todas as lutas inglórias que através de nossa história não esquecemos jamais/Salve o navegante negro que tem por monumento as pedras pisadas do cais/Mas salve (bis)/Mas faz muito tempo”.
Outra questão importante se refere ao direito autoral dos músicos brasileiros, estudado por Mendonça (2003), polêmica que Elis Regina, primus inter pares encabeçou, participando de muitas reuniões em Brasília (DF). Além disso, fora presidente da Assim - Associação de Intérpretes e de Músicos. Causando grande comoção nacional, faleceu aos 36 anos de idade em 19 de janeiro de 1982, devido a “complicações decorrentes de uma overdose de cocaína, e bebida alcoólica”. O laudo médico foi elaborado por José Luiz Lourenço e Chibly Hadad, sendo o diretor do IML - Instituto Médico Legal, Harry Shibata, médico conhecido por seu envolvimento no caso do assassinato do jornalista Vladimir Herzog (cf. Perosa, 1979; Jordão, 1985).

                Vlado Herzog na redação da BBC (britânica), onde trabalhou sobre produções para TV.
            Jornalista, professor da USP - Universidade de São Paulo e teatrólogo, Vlado Herzog nasceu em 1937, na cidade de Osijsk, Iugoslávia. Filho de Zigmund Herzog e Zora Herzog imigrou com os pais para o Brasil em 1942. A família saiu da Europa fugindo do nazismo. Vlado foi criado em São Paulo e se naturalizou brasileiro. Fez Filosofia na USP e tornou-se jornalista do jornal O Estado de S. Paulo em 1959. Nesta época, Vlado achava que o nome soava exótico nos trópicos e resolveu passar a assinar Vladimir. No início da década de 1960, casou-se com Clarice. Com o golpe político-militar de 1964, o casal resolveu passar uma temporada na Inglaterra e Vladimir conseguiu trabalho na BBC de Londres. Lá, tiveram dois filhos, Ivo e André.
Em 1968, a família voltou ao Brasil. Vlado trabalhou um ano em publicidade, depois na editoria de cultura da revista Visão. Em 1975, foi escolhido pelo Secretário de Cultura de São Paulo, José Mindlin, para dirigir o jornalismo da TV Cultura. Na noite do dia 24 de outubro de 1975, o jornalista apresentou-se na sede do DOI-Codi -Destacamento de Operações de Informações/ Centro de Operações de Defesa Interna, em São Paulo, para prestar esclarecimentos sobre suas ligações com o PCB - Partido Comunista Brasileiro. No dia seguinte, foi morto aos 38 anos. Segundo a versão oficial da época, ele “teria se enforcado com o cinto do macacão de presidiário”. Porém, de acordo com os testemunhos de Jorge Benigno Jathay Duque Estrada e Rodolfo Konder, jornalistas presos na mesma época no DOI/Codi, Vladimir foi assassinado sob torturas.
Analogamente ocorrera em 1969 com Dilma Vana Rousseff que já vivendo na clandestinidade, usa vários codinomes para não ser encontrada pelas forças de repressão aos opositores do regime político. No mesmo ano, Comando de Libertação Nacional (Colina) e a VPR - Vanguarda Popular Revolucionária se unem, formando a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), em homenagem ao “Quilombo dos Palmares” (cf. Carneiro, 1958; Albuquerque, 1978).  Na visão de Élio Gaspari, “a organização utilizava táticas de guerrilha urbana e de terrorismo, tendo como objetivo a derrubada da ditadura militar e a instalação de um regime socialista”, segundos os moldes marxista-leninistas no Brasil. De sua fusão com o Comando de Libertação Nacional (Colina), deu origem à VAR-Palmares em homenagem ao Quilombo dos Palmares (cf. Carneiro, 1958; Albuquerque, 1978).
A VPR se recompôs posteriormente, deixando a VAR-Palmares e, em 1970, passando a organizar um campo de treinamento de guerrilheiros no vale do Ribeira. Em julho, a VAR-Palmares rouba o “cofre do Adhemar”, que teria pertencido ao ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros. A ação ocorreu no Rio de Janeiro e teria rendido à guerrilha US$ 2,4 milhões. Dilma Rousseff nega ter participado dessa operação, mas há quem afirme “que ela teria, pelo menos, ajudado a planejar o assalto”. Em setembro de 1969, a VAR-Palmares sofre um racha. Volta a existir a VPR. Dilma Rousseff “escolhe permanecer na facção política VAR-Palmares - e ainda teria organizado três ações de roubo de armas no Rio de Janeiro, sempre em unidades do Exército”. Presa em 16 de janeiro de 1970, em São Paulo, o promotor militar responsável pela acusação a qualificou de “papisa da subversão”. Fica detida na Oban (Operação Bandeirantes), onde é torturada. Depois, é enviada ao Dops. Condenada em 3 Estados, em 1973 já está livre, depois de ter conseguido redução de pena no STM (Superior Tribunal Militar). Muda-se, então, para Porto Alegre, onde cursa a Faculdade de Ciências Econômicas, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Mutatis mutandis, Elis Regina fora casada com o músico Ronaldo Bôscoli (1928-1994), e de Pedro Camargo Mariano e teve Maria Rita (nascida 1977), filhos de seu segundo marido, com o pianista César Camargo Mariano (1943-). O estilo musical interpretado ao longo da carreira percorria assim o “fino da bossa nova”, firmando-se como uma das maiores referências vocais deste gênero. Aos poucos, o estilo MPB, pautado por um hibridismo ainda mais urbano e “popularesco” que a bossa nova, distanciando-se das raízes do jazz americano, seria mais um estilo explorado. Já no samba consagrou “Tiro ao Álvaro” e “Iracema” (Adoniran Barbosa), entre outros. Notabilizou-se pela uniformidade vocal, primazia técnica e uma afinação a toda prova. O registro vocal pode ser definido como de uma mezzo-soprano característico com um fundo levemente metálico e vagamente rouco.
Desde a década de 1960, quando surgiram os especiais do Festival de Música Popular Brasileira pela TV Record, até o final da década de 1980, a televisão brasileira foi marcada pelo sucesso dos espetáculos transmitidos; apresentando os novos talentos, registravam índices recordes de audiência. No Festival conheceu Chico Buarque, mas acabou desistindo de gravá-lo devido “à impaciência com a timidez do compositor”. Elis Regina participou do especial Mulher 80 pela Rede Globo de Televisão, num desses momentos marcantes para os telespectadores. O programa exibiu uma série de entrevistas e musicais cujo tema era a mulher e a discussão do papel feminino na sociedade de então, abordando esta temática no contexto da música nacional e da inegável preponderância das vozes femininas: Maria Bethânia, Fafá de Belém, Zezé Motta, Marina Lima, Simone, Rita Lee, Joanna, Elis Regina, Gal Costa e as participações especiais das atrizes Regina Duarte e Narjara Turetta, que protagonizaram o seriado Malu Mulher.
A antológica interpretação de “Arrastão” de Edu Lobo e Vinícius de Moraes, no Festival, escreveu um novo capítulo na história da música brasileira, inaugurando a MPB - Música Popular Brasileira e apresentando uma Elis ousada. Diz assim a letra:
Ê, tem jangada no mar/Ê, hoje tem arrastão/Ê, todo mundo pescar/Chega de sombra, João/Jovi/Olha o arrastão entrando no mar sem fim/Ê, meu irmão, me traz Iemanjá prá mim/Minha Santa Bárbara/Me abençoai/Quero me casar com Janaína/Ê, puxa bem devagar/Ê, ê, ê, já vem vindo o arrastão/Ê, é a rainha do mar/Vem, vem na rede João/Prá mim/Valha-me meu Nosso Senhor do Bonfim/Nunca jamais se viu tanto peixe assim”.
Uma interpretação inesquecível, encenada pouco depois de completar apenas 20 anos de idade e coroada com o reconhecimento do Prêmio Berimbau de Ouro. O Troféu Roquette Pinto veio na sequência, elegendo-a a Melhor cantora do ano. Fã incondicional de Angela Maria, a quem prestou várias homenagens, Elis impulsionava uma carreira não menos gloriosa, possibilitando o lançamento do primeiro LP individual, “Samba eu canto assim” (CBD, selo Philips). Pioneira, em 1966 lançou o selo Artistas, “registrando o primeiro disco independente produzido no Brasil”, intitulado “Viva o Festival da Música Popular Brasileira”, gravado durante o festival.
Mais uma vitoriosa participação no III Festival de Música Popular Brasileira  junto à TV Record, com a canção “O cantador” de Dori Caymmi e Nelson Motta, classificando-se para a finalíssima e reconhecida com o prêmio de Melhor Intérprete. Em 1968, uma viagem à Europa a lança no mercado musical internacional, conquistando grande sucesso, principalmente no Olympia de Paris, “onde se tornou a primeira artista a se apresentar duas vezes num mesmo ano, naquela que é a mais antiga sala de espetáculos musicais de Paris”. Além disso, vale lembrar que foi Elis Regina quem também lançou boa parte dos compositores até então desconhecidos: Milton Nascimento, Renato Teixeira, Tim Maia, Gilberto Gil, João Bosco e Aldir Blanc, Sueli Costa, entre outros. Um dos grandes admiradores, Milton Nascimento, “a elegeu musa inspiradora e a ela dedicou inúmeras composições”.
Durante os anos 1970, aprimorou constantemente a técnica e domínio vocal, registrando em discos de grande qualidade técnica parte do melhor da sua geração de músicos. Patrocinado pela marca Philips na mostra Phono 73, com vários outros artistas, deparou-se com uma plateia fria e indiferente, distância quebrada com a calorosa apresentação de Caetano Veloso quando afirma: “Respeitem a maior cantora desta terra”. Em julho lançou Elis. Em 1975, com o espetáculo “Falso Brilhante”, que mais tarde originou um disco homônimo, atinge enorme sucesso, ficando mais de um ano em cartaz e realizando quase 300 apresentações. Lendário, tornou-se um dos mais bem sucedidos espetáculos da história da música nacional e um marco definitivo da carreira.
Ainda teve grande êxito com o espetáculo “Transversal do Tempo”, em 1978, de um clima extremamente político e tenso; com o “Essa Mulher” em 1979, sob a direção de Oswaldo Mendes, que estreou no Anhembi em São Paulo e excursionou pelo Brasil no lançamento do disco homônimo; com o samba “Saudades do Brasil”, em 1980, sucesso de crítica e público pela originalidade, tanto nas canções quanto nos números com dançarinos amadores, direção de Ademar Guerra e coreografia de Márika Gidali (Ballet Stagium); e finalmente o último espetáculo, “Trem Azul”, em 1981, direção de Fernando Faro. Data desta época a frase: “Neste país só duas cantam: Gal e eu”.
                                      Memorial em homenagem a Elis Regina.
Historicamente falando em poucos anos, Elis Regina sai do Inferno para o Paraíso. Ao Inferno, ela chega ao ser “enterrada” no “Cemitério dos Mortos-Vivos do Cabôco Mamadô” - para onde o cartunista Henfil, no semanário O Pasquim, mandava pessoas que, na opinião dele, colaboravam com a ditadura militar no início da década de 1970. Ao Paraíso, Elis ascende ao liderar um grupo de artistas de esquerda: Fagner, Belchior, Gonzaguinha, João Bosco, Jards Macalé e Carlinhos Vergueiro, entre outros, que fazem vários shows para levantar dinheiro para o Fundo da Greve do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, no ABC paulista, em 1979. Essa vivência política é um lado pouco conhecido de Elis Regina que, aos 18 anos, foi sozinha para o Rio de Janeiro, onde chegou a morar num quarto-e-sala na Rua Barata Ribeiro, 200, em Copacabana, um prédio tipo “balança-mas-não-cai”, celebrizado numa peça de teatro: “Um Edifício Chamado 200”, de Paulo Pontes.
Dirigido por Carlos Imperial, “Um Edifício Chamado 200” é um filme brasileiro de 1973, baseado em peça homônima de Paulo Pontes e José Renato. Alfredo Gamela é um carioca de 20 anos, que vive num pequeno apartamento num edifício “treme-treme” de Copacabana com sua amante Karla e, embora não tenha dinheiro, gosta de aparentar que é rico. Eles estão há dois dias sem comer, quando a situação se agrava com o aparecimento de Ana, ex-amante de Gamela, em busca de ajuda. As mulheres descobrem que Gamela vive num mundo de mentira, mas ele supera as dificuldades momentâneas vendendo seus últimos pertences. Karla e Ana saem para comprar alimentos e Gamela fica preenchendo seu cartão de Loteria Esportiva.
Desnecessário dizer que O Pasquim foi um semanário brasileiro editado entre 26 de junho de 1969 e 11 de novembro de 1991, reconhecido por seu papel de oposição ao regime militar. De uma tiragem inicial de 20 mil exemplares, que a princípio parecia exagerada, o semanário, que sempre se definia como um hebdomadário atingiu a marca de mais de 200 mil em seu auge, em meados dos anos 1970, se tornando um dos maiores fenômenos do mercado editorial brasileiro. A princípio uma publicação comportamental que falava sobre sexo, drogas, feminismo e divórcio, entre outros, o tabloide foi se tornando mais politizado à medida que aumentava a repressão da ditadura militar, principalmente após a promulgação do repressivo ato AI-5. O Pasquim passou então a ser porta-voz da indignação social brasileira.
Em 1965, acontece o estouro: Elis Regina vence o I Festival de Música Popular, da TV Excelsior, com “Arrastão”, como vimos de Edu Lobo e Vinicius de Moraes. Elis fez pelo menos três shows antológicos: Falso Brilhante (1975), Transversal do Tempo (1977) e Saudade do Brasil (1980). Dos seus discos, a maioria de qualidade acima da média, o melhor é o que gravou com Tom Jobim, em 1974, nos EUA, “considerado uma obra-prima, mesmo por quem não gosta de Elis Regina”. Por causa do seu gestual no palco, agitando os braços como se nadasse de costas, Elis foi chamada de “Elis-Cóptero” e “Élice-Regina”, mas o apelido que pega, mesmo, é o que lhe dá Vinicius: “Pimentinha”. Sim, porque, dali em diante, já como estrela conhecida no país inteiro, ela iria, por assim dizer, “apimentar muitos aspectos da vida cultural brasileira, durante praticamente duas décadas”.
Do cemitério à anistia - O episódio mais apimentado da vida de Elis, sem dúvida, foi o seu “enterro” no Cemitério do “Cabôco Mamadô”. Lá, ela fez companhia a gente como Wilson Simonal, Amaral Neto que fora um deputado carioca de direita, defensor da pena de morte e alcunhado de Amoral Nato, e Flávio Cavalcanti, um apresentador de TV que liderou, metralhadora na mão, a invasão e depredação do jornal Última Hora, no Centro do Rio de Janeiro, logo no início de abril após o golpe político-militar de 1de abril de 1964. Elis foi “enterrada” por Henfil por duas atitudes em relação ao Governo Federal, na época chefiado pelo ditador-de-plantão general Garrastazu Médici, o mais sanguinário dos militares-presidentes. Primeiro, foi a gravação de uma chamada veiculada em todas as TVs, a partir de abril, conclamando o povo a cantar o Hino Nacional no dia 7 de setembro de 1972. Foi o ano do Sesquicentenário da Independência, uma data que a ditadura militar aproveitou ao máximo, inclusive com a organização de uma Mini Copa de futebol, vencida pela Seleção Brasileira.
O termo discurso pode também ser definido do ponto de vista lógico. Quando pretendemos significar algo a outro é porque temos a intenção de lhe transmitir um conjunto de informações coerentes - essa coerência é uma condição essencial para que o discurso seja entendido. São as mesmas regras gramaticais utilizadas para dar uma estrutura compreensível ao discurso que simultaneamente funcionam com regras lógicas para estruturar o pensamento. Um discurso político, por exemplo, tem uma estrutura e finalidade muito diferente do discurso econômico, mas politicamente pode operar a dimensão econômica produzindo efeitos sociais específicos em termos de persuasão. Vários outros artistas também apareceram em chamadas de TV, promovendo a Olimpíada do Exército, em filmes produzidos pela Assessoria Especial de Relações Públicas da Presidência da República (AERP).
A AERP foi do ponto de vista da análise comparada uma reedição atualizada do DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda (cf. Tavares, 1975; 1982a; 1982b; 1983) da ditadura do Estado Novo (1937-1946). O Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) foi criado no Brasil em 1939, em substituição ao “Departamento de Propaganda e Difusão Cultural” (DPDC) que, em 1934, havia substituído ao Departamento Oficial de Propaganda (DOP), cuja estrutura obsoleta obrigou ao governo a ampliar sua abrangência. O DIP foi extinto em 1945, de modo que a criação, o objetivo e a história de todos esses departamentos se confundem com a chamada “Era Vargas”. O DIP serviu para promover propagandas da política populista de Getúlio Vargas.
Do ponto de vista ideológico criaram-se cartilhas para serem distribuídas às crianças nas escolas e para a imprensa, curtas para exibição obrigatória antes dos filmes nos cinemas e o programa radiofônico nacional “Hora do Brasil”, retransmitido em horário nobre, antes das radionovelas ouvidas por praticamente toda a classe média e alta brasileira. O DIP tornou obrigatória a presença da foto oficial de Getúlio Vargas em lugar de destaque em todos os estabelecimentos comerciais do país (padarias, boticas, armazéns, etc.), divulgando e impondo a figura do ditador em todas as instâncias da vida política e social do Brasil, numa reprodução dos métodos implantados na Alemanha nazista por Joseph Goebbels, mentor de Filinto Muller como se sabe, torturador e colaborador de Vargas. Além de implantar a revista Cultura Política (1941-1945), no Rio de Janeiro, para fazer propaganda do governo, o DIP instituiu o dia 19 de abril, aniversário do presidente Getúlio Vargas, como o “Dia do Presidente” e, por intervenção direta ou por meio da censura, obriga a imprensa a fazer propaganda da ditadura varguista.
De acordo com a revista Cultura Política, os intelectuais tinham um papel de fundamental importância na estruturação da “nova ordem”. Formadores da opinião pública, a eles cabiam a função “de unir governo e povo, traduzindo a voz da sociedade”. A revista contava com a colaboração da nata da intelectualidade brasileira, abrigando as mais diversas correntes de pensamento. Entre seus colaboradores estavam os próprios ideólogos do regime: além de Almir de Andrade, Francisco Campos , Azevedo Amaral, Lourival Fontes e Cassiano Ricardo. Mas curiosamente Graciliano Ramos, Gilberto Freyre e Nelson Werneck Sodré também colaboraram com artigos.
Por isso, guardadas as proporções, a atriz Marília Pêra, Paulo Gracindo, Tarcísio Meira e Glória Menezes, entre outros, também foram “enterrados”. A segunda atitude de Elis que provocou a ira-santa de Henfil (e um segundo “enterro…”) foi a apresentação dela na Olimpíada da Semana do Exército, em setembro do mesmo ano, 1972. Hoje, mais de 30 anos depois do “Cemitério do Cabôco Mamadô” do tabloide Pasquim, é preciso entender aqueles “tempos-de-chumbo” para compreender a postura radical de Henfil. Vivia-se um momento de intensa repressão política. Mas a razão principal do “enterro” de Elis está no próprio Henfil - um artista engajado politicamente que não fazia concessões, e pagou por isso –, que tinha um irmão exilado, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, um militante que fugiu do Brasil para não ser assassinado pelos órgãos de segurança.
Enfim, vale lembrar que a expressão “anos de chumbo” foi aplicada inicialmente a um fenômeno da Europa Ocidental, relacionado com a chamada Guerra Fria (cf. Arbex Jr., 1997) e com a estratégia da distensão. Designa o período compreendido aproximadamente entre o pós-1968 e o fim dos anos 1970, na Alemanha, ou meados dos anos 1980, na França e na Itália - anos marcados por violência política, guerrilha revolucionária armada e terrorismo de extrema esquerda e de extrema direita, bem como pelo endurecimento do aparato repressivo dos Estados democráticos da Europa Ocidental. Posteriormente a expressão passou a designar esse período de radicalização política, também fora da Europa - particularmente nos países do Cone Sul.
E o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, indiretamente, teve a ver com um dos motivos para a passagem de Elis do “Inferno para o Paraíso”: a gravação, em março de 1979, de uma das músicas politicamente mais engajadas da MPB, “O Bêbado e a Equilibrista”. De João Bosco e Aldir Blanc, a música foi uma espécie de hino de um dos mais importantes movimentos políticos da História do Brasil: a luta pela anistia ampla, geral e irrestrita. A campanha foi lançada em janeiro de 1978, com a criação do Comitê Brasileiro de Anistia (CBA), no Rio de Janeiro. “O Bêbado e a Equilibrista” - que emociona até hoje, fala na “volta do irmão do Henfil”. Na época, Betinho - que, como Henfil e o outro irmão, Francisco Mário, eram hemofílicos e pegou Aids numa transfusão de sangue - estava no México, esperando, justamente, a Anistia.
A partir de 1968, com a instituição do AI-5 - Ato Institucional n. 5, inicia-se a fase de maior repressão de todo o governo militar. O fechamento do Congresso Nacional, a suspensão dos direitos políticos, a prisão e o exílio daqueles que se opunham ao poder marcaram os anos seguintes. Muitos intelectuais e cantores, como Chico Buarque e Gilberto Gil que se despede do Brasil com o samba, “Aquele Abraço” foram obrigados a deixar o país. Como vimos Elis Regina se tornou conhecida nacionalmente em 1965, ao vencer o Festival de Música Popular Brasileira da TV Excelsior, com a música “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes. Intensificou sua carreira no exterior em 1969, ano em que fez show nas principais capitais europeias e latino-americanas. Em 1972, o governo militar organizou um show em homenagem ao Sesquicentenário da Independência. Por causa disto. A participação de Elis nesse evento acabou levando-a ao “cemitério dos mortos-vivos”, famosa seção de quadrinhos que o cartunista Henfil mantinha no tabloide Pasquim.
Para desancar as personalidades que de alguma forma aderiam ao regime, Henfil promovia o enterro delas no jornal. Outros “mortos-vivos” enterrados pelo cartunista foram Marília Pera, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Tarcísio Meira e Glória Menezes. Cinco anos mais tarde, ela e o cartunista se tornaram grandes amigos. Convidada por Henfil, Elis aderiu à campanha pela Anistia, principalmente pela volta de Betinho, irmão do amigo. A adesão dela foi representada pela canção “O Bêbado e a Equilibrista”, gravada em 1979. No trecho, “meu Brasil que sonha com a volta do irmão do Henfil/com tanta gente que partiu num rabo-de-foguete/chora a nossa pátria, mãe gentil/choram Marias e Clarisses no solo do Brasil”... o apelo político é explícito.
A música contém uma mensagem de esperança e otimismo ao “povo brasileiro”, para lembramos de Ribeiro (1995) evidenciado na última estrofe. Essas duas características sempre fizeram parte do repertório de Elis Regina, desejando uma situação melhor para seu país. O movimento pela anistia deu resultado, e em 1979, com a ditadura já enfraquecida, foi promulgada a Lei da Anistia. Seis anos mais tarde, em 1985, o regime militar chegava ao fim, era iniciada uma nova era na história política brasileira. Mas Elis não chegou a presenciar esse momento, infelizmente, pois morreu no dia 19 de janeiro de 1982.
Elis e Henfil: cara-a-cara – O “coveiro” Henfil e sua “defunta” Elis acabaram se encontrando, por iniciativa dela. Sobre esse momento, Henfil deu, três anos depois da morte da cantora, um depoimento tão sincero quanto comovente a Regina Echeverria, autora de “Furacão Elis” (1985). O cartunista não pediu desculpas por tê-la “enterrado”, mas se arrependeu. Os dois acabaram amigos sinceros, trabalharam juntos e se falaram até dois meses antes da morte da cantora. Com a palavra, Henfil:
- Foi igualzinho a hoje. De repente, os artistas são arrebanhados pelo Governo, só que – eu não sabia – debaixo de vara, de ameaças, para fazerem uma campanha da Semana do Exército. O que eu vi, na realidade, foi o comercial de televisão. Me aparece o Roberto Carlos dizendo: “Vamos lá, pessoal, cantar o Hino Nacional”. E, de repente, a Elis surge regendo um monte de cantores, de fraque de maestro, regendo o Hino Nacional. E nessa época nós estávamos no Pasquim e eu, mais que os outros, contra-atacando todos aqueles que aderiram à ditadura, ao ditador-de-plantão. (…). Eu só me arrependo de ter enterrado duas pessoas - Clarice Lispector e Elis Regina. (…). Eu não percebi o peso da minha mão. Eu sei que tinha uma mão muito pesada, mas eu não percebia que o tipo de crítica que eu fazia era realmente enfiar o dedo no câncer. Quando nos encontramos anos depois, (…) fomos jantar numa cantina perto do Teatro Bandeirantes e ela fez questão de sentar na minha frente. (…) De repente, ela começou a falar: “Pô, bicho, eu te amo tanto, bicho, te gosto tanto”. E eu já não estava gostando dessa história de “bicho”, porque eu não gostava do jeito que ela falava, nunca gostei. Daí me irritei e disse: “Elis, o que você está querendo dizer com isso? ”. Aí, ela começou a chorar. As pessoas na mesa enfiaram a cara no prato, todos sabiam o que eu tinha feito, só eu não sabia. Ela disse: “Pô, você me enterrou”, e começou a me esculhambar, dizendo que aquilo foi uma covardia, que ela estava ameaçada. (…) Elis nunca me perguntou se eu estava atacando porque ela estava defendendo um regime militar que queria matar meu irmão. (…) Resolvi engolir. Ela terminou de falar, entendeu meu subtexto: “Tá, Elis, eu aceito”. (…) Evidente que os militares estavam pressionando o país inteiro. Eu sabia disso, os militares faziam censura prévia no meu jornal (Pasquim), presença física, todo dia. (…) Então, tinha todo o direito de criticar uma pessoa que ia para a televisão se entregar. Eu não mudei em nada e ela percebeu isso.
Elis Regina casou duas vezes: com o compositor Ronaldo Bôscoli e com o músico César Camargo Mariano, e tiveram três filhos, o músico e produtor João Marcelo Bôscoli e os cantores Pedro Mariano e Maria Rita. Morreu em São Paulo por overdose de cocaína, às 11h45 do dia 19 de janeiro de 1982. O velório foi no Teatro Bandeirantes, por onde passaram mais de 60 mil pessoas. No dia seguinte, 20 de janeiro, Elis é enterrada no Cemitério do bairro Morumbi. Seu corpo vestia uma roupa que ela foi proibida, pela Censura, de usar no show “Saudade do Brasil” - uma camiseta com um desenho da Bandeira do Brasil onde, no lugar do dito Comtista “Ordem e Progresso”, estavam escrito: ELIS REGINA. Quer dizer: Elis Regina Carvalho Costa, politicamente falando, riu por último ao ser enterrada com a roupa censurada. Tanto que, hoje, é lembrada pela música “O Bêbado e a Equilibrista” e a Anistia, e não pela sua “passagem” pelo Cemitério dos “Mortos-Vivos do Cabôco Mamadô” do irmão do Betinho.
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Sociólogo (UFF), Cientista Político (UFRJ), Doutor em Ciências junto à Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). Professor Associado da Coordenação do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

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Revista BBC history is published by triada under license from BBC, Bristol Magazines Ltd; MORAES, Evaristo, A Campanha abolicionista 1879-1888. 2ª edição. Brasília: Editora da Universidade de Brasília - UnB, 1986; CARNEIRO, Edson, O Quilombo de Palmares. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1958; ALBUQUERQUE, Manoel Maurício de, “A Propósito de Rebelião e Trabalho Escravo”. In: Encontros com a Civilização Brasileira, nº 5. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, novembro de 1978; CERTEAU, Michel de, La Culture au Pluriel. Paris: Union General d`Editions, 1974; Idem, L` Ecriture de l`Histoire. Paris: Editions Gallimard, 1975; Idem, L` Invention du Quotidienne. Vol 1. Arts de Faire. Paris: Union Générale d`Editions 10-18, 1980; Idem, A Invenção do Cotidiano: (1) Artes de Fazer. Rio de Janeiro: Vozes, 1994; MENDONÇA, Amaudson Ximenes Veras, “OMB, OBRIGADO NÃO”: Análise Social sobre as Relações de Poder na Ordem dos Músicos do Brasil no Estado do Ceará (1998-2003). Dissertação de Mestrado em Ciências. MAPPS - Mestrado Acadêmico em Políticas Públicas e Sociedade da Universidade Estadual do Ceará, 2002; KIECHALOSKI, Zeca, Elis Regina. Col. Esses Gaúchos. Porto Alegre: Tchê!, 1984; ECHEVERRIA, Regina (1985), Furacão Elis. Inclui cronologia e discografia por Maria Luiza Kfouri. Rio de Janeiro: Nórdica; Círculo do Livro. 363p. 2.ed. rev. ampl. 1994 (São Paulo: Ed. Globo); 3ª ed. 2002 (São Paulo: Ed. Globo); ARASHIRO, Osny (org.), Elis Regina Por Ela Mesma. (1995) Org. Osny Arashiro. São Paulo: Martin Claret. 2ª ed. rev. 2004; O Melhor de Elis Regina. Melodias cifradas com as letras de 28 músicas do repertório de Elis Regina. Ed. Irmãos Vitale, 2003; SARSANO, José Roberto, (2005) Boulevard des Capucines. Teatro Olympia, Paris, 1968: Elis Regina e Bossa Jazz Trio em uma época de ouro da MPB. Ed. Árvore da Terra. 207 p.; GOÉS, Ludenbergue, Mulher brasileira em primeiro lugar: o exemplo e as lições de vida de 130 brasileiras consagradas no exterior. Ediouro Publicações, 2007; PUGIALLI, Ricardo, Almanaque da Jovem guarda: nos embalos de uma década cheia de brasa, mora?. Ediouro Publicações, 2006; SILVA, Walter, Vou te contar: histórias de música popular brasileira. Editora Conex, 2002; TAVARES, José Nilo, Política em Minas; a Formação do PRM (1870-1910). “Mimeo”, 1975; Idem, Conciliação e Radicalização Política no Brasil. Ensaios de História Política. Petrópolis (RJ): Vozes, 1982a; Idem, “Imprensa na década de vinte: sociedade, política e ideologia”. In: Separata da Revista Brasileira de Estudos Políticos. Belo Horizonte: UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais, 1982b; Idem, Marx, o Socialismo e o Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983; ARBEX JR., José, Guerra Fria - terror de Estado, política, cultura. São Paulo: Moderna, 1997; FERNANDES, Florestan, Nova República? Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1986; Idem, “Ciências Sociais: na ótica do intelectual militante”. In: Revista Estudos Avançados. São Paulo: Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo. Volume 8 - Número 22, Setembro/Dezembro, 1994; RIBEIRO, Darcy, O Povo Brasileiro: A formação e o sentido do Brasil. 2ª edição. São Paulo: Companhia das Letras, 1995; DREIFUSS, René Armand, O Jogo da Direita Na Nova República. Petrópolis (RJ): Vozes, 1989, entre outros.